O prazer sem pressa: porque nem tudo tem de acontecer rapidamente!

O que significa ter prazer sem pressa?

Ter prazer sem pressa não significa obrigatoriamente passar horas num momento íntimo.

Significa, sobretudo, não transformar a intimidade numa tarefa com objetivos obrigatórios.

Em vez de pensar:

“O que vem a seguir?”

podes experimentar pensar:

“O que estou a sentir agora?”

Essa pequena mudança de perspectiva pode fazer uma grande diferença.

O toque, os beijos, a respiração, os olhares, a proximidade e todas as pequenas sensações que acontecem pelo caminho também fazem parte da experiência.


A pressa pode tirar atenção às sensações

Quando estamos focados apenas no resultado, podemos deixar de prestar atenção ao próprio corpo.

É fácil entrar no piloto automático: repetir aquilo que já conhecemos, acelerar os movimentos ou pensar constantemente no que deveria acontecer a seguir.

Ao abrandar, podes começar a reparar melhor em coisas como:

  • Que tipo de toque te agrada mais;
  • Que zonas do corpo são mais sensíveis;
  • Que ritmo preferes;
  • Que intensidade é mais confortável;
  • O que te faz relaxar;
  • O que aumenta a tua vontade de continuar.

Não é preciso procurar constantemente uma sensação mais intensa. Às vezes, simplesmente prolongar uma sensação agradável já torna o momento muito mais interessante.


Nem tudo precisa de levar diretamente ao prazer sexual

Esta é uma das ideias mais importantes.

Um momento íntimo não precisa de começar já com uma finalidade sexual.

Uma carícia nas costas, um abraço prolongado, uma massagem, um beijo ou simplesmente ficar juntos no sofá podem ajudar a criar um ambiente de proximidade.

A intimidade pode começar muito antes de qualquer contacto sexual.

E isso permite que o corpo e a mente tenham tempo para acompanhar o momento.


O desejo também pode precisar de tempo

Nem todas as pessoas sentem desejo da mesma forma.

Para algumas, o desejo aparece espontaneamente. Para outras, pode surgir à medida que começam a relaxar, receber carinho, explorar sensações e envolver-se no momento.

Por isso, não sentir imediatamente uma grande vontade não significa necessariamente que algo esteja errado.

Dar espaço ao corpo, sem pressão, pode ser mais importante do que tentar provocar uma resposta rapidamente.

Claro que isto não significa insistir quando não existe vontade. Consentimento e conforto continuam sempre a ser fundamentais.

Se não te apetece, não tens de continuar.


Como abrandar durante um momento íntimo?

Não precisas de seguir nenhuma técnica complicada. Pequenas mudanças podem ser suficientes.

 1. Dedica mais tempo ao toque

Em vez de passar rapidamente de uma zona para outra, experimenta permanecer mais tempo onde o toque está a ser agradável.

Presta atenção à resposta do corpo.

 2. Não tenhas pressa nos beijos

Os beijos podem ser uma experiência por si só.

Varia o ritmo, faz pausas e deixa que o momento aconteça naturalmente.

 3. Presta atenção à respiração

Respirar de forma mais lenta e consciente pode ajudar-te a relaxar e a concentrar-te no presente.

Também podes reparar na respiração da outra pessoa e na forma como o corpo reage ao contacto.

 4. Deixa de pensar no “resultado”

Esta pode ser a parte mais difícil.

Se estiveres constantemente a pensar se vais atingir determinado objetivo, podes acabar por sair do momento.

Experimenta simplesmente perguntar a ti próprio:

“Estou a gostar disto?”

Se a resposta for sim, não há necessidade de acelerar.

 5. Explora sem obrigação

Nem toda a experiência precisa de resultar numa descoberta extraordinária.

Podes experimentar um toque diferente, uma posição diferente ou simplesmente uma forma diferente de criar proximidade.

Se não gostares, também descobriste alguma coisa.


A comunicação também pode ajudar

Quando estamos com outra pessoa, dizer aquilo de que gostamos pode tornar tudo mais simples.

Não precisas de fazer uma grande conversa no meio do momento.

Pequenas frases podem ser suficientes:

“Assim está bom.”

“Mais devagar.”

“Gosto mais quando fazes assim.”

“Experimenta aqui.”

Comunicar não retira espontaneidade. Pelo contrário, pode ajudar os dois a perceber melhor o que funciona.

E quando existe confiança para dizer “não gosto”, “não quero” ou “hoje não me apetece”, a intimidade torna-se mais segura e confortável.


E se nada acontecer?

Também está tudo bem.

Um dos maiores erros é pensar que um momento íntimo só vale a pena se terminar de determinada maneira.

Às vezes, o melhor resultado é simplesmente terem passado algum tempo juntos, terem descoberto uma sensação nova ou terem conseguido relaxar.

O prazer não precisa de ser medido por um resultado.

Pode estar num beijo, numa gargalhada, num abraço, numa carícia ou naquela sensação de simplesmente te sentires confortável com outra pessoa.


Experimenta trocar a pressa pela curiosidade

Da próxima vez que estiveres num momento íntimo, experimenta fazer uma pequena experiência.

Em vez de pensares:

“O que devemos fazer a seguir?”

pergunta:

“O que podemos descobrir agora?”

Essa mudança transforma o momento numa exploração.

Podes experimentar diferentes ritmos, toques, ambientes ou sensações. Podes descobrir algo de que gostas muito ou perceber que determinada coisa simplesmente não é para ti.

E ambas as descobertas são importantes.


O prazer não é uma corrida

Não existe um cronómetro para a intimidade.

Não precisas de chegar depressa a lado nenhum. Não precisas de cumprir uma sequência específica. E não precisas de comparar a tua experiência com a de outras pessoas.

Abrandar permite sentir. Sentir permite descobrir. E descobrir ajuda-te a conhecer melhor aquilo que realmente te dá prazer.

Por isso, da próxima vez que tiveres um momento íntimo, experimenta deixar o relógio de lado.

Menos pressa.
Mais atenção.
Mais curiosidade.
Mais espaço para sentir. 

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