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Mesmo numa relação de confiança, falar de sexualidade pode despertar alguma insegurança.
Podemos pensar:
Estas preocupações são mais comuns do que parece.
Além disso, ter uma fantasia não significa necessariamente querer concretizá-la. Uma fantasia pode simplesmente ser uma ideia, uma curiosidade ou algo que desperta a imaginação.
Por isso, partilhar uma fantasia não deve ser entendido automaticamente como um pedido.
Uma conversa sobre desejos não precisa de acontecer no meio de um momento íntimo.
Na verdade, pode ser mais confortável falar quando ambos estão tranquilos, sem pressa e sem expectativas.
Um jantar, uma caminhada ou simplesmente uma conversa descontraída podem ser melhores momentos do que tentar abordar o assunto quando já existe pressão para tomar uma decisão.
O objetivo é conversar, não chegar imediatamente a uma conclusão.
A forma como apresentamos aquilo que sentimos pode fazer toda a diferença.
Em vez de:
“Tu nunca queres experimentar coisas novas.”
Podes dizer:
“Tenho curiosidade em experimentar algo diferente e gostava de saber o que pensas.”
A primeira frase pode soar a crítica. A segunda abre espaço para uma conversa.
Expressões como “eu sinto”, “eu gostava”, “tenho curiosidade” ou “o que acharias de…” ajudam a tornar a conversa mais leve e menos acusatória.
Este é um dos pontos mais importantes.
Podes partilhar uma fantasia sem esperar que o teu parceiro queira realizá-la.
Da mesma forma, o teu parceiro pode contar-te algo que acha excitante ou interessante e isso não significa que tenhas de aceitar.
Uma fantasia pode ser partilhada, discutida e até explorada na imaginação sem existir obrigação de a transformar em realidade.
O consentimento continua a ser essencial em qualquer experiência.
Uma conversa sobre desejos não é apenas sobre falar. É também sobre ouvir.
Se o teu parceiro partilhar algo contigo, tenta evitar respostas imediatas como:
Mesmo que não tenhas interesse na ideia, podes responder com curiosidade:
“O que é que te atrai nessa fantasia?”
Esta pergunta pode ajudar-te a perceber que, muitas vezes, aquilo que está por trás de uma fantasia é mais importante do que a própria fantasia.
Pode ser a novidade, a sensação de liberdade, a surpresa, o ambiente, a confiança ou simplesmente a curiosidade.
Um “não” não significa necessariamente falta de desejo pelo parceiro.
Duas pessoas podem sentir-se profundamente atraídas uma pela outra e, ainda assim, ter limites, preferências e curiosidades diferentes.
Se uma fantasia não agrada ao teu parceiro, respeitar essa resposta é fundamental.
E o mesmo acontece contigo.
Não é preciso aceitar algo para provar amor, confiança ou desejo.
Se falar de fantasias parece demasiado difícil, começa por temas mais simples.
Por exemplo:
“Há alguma coisa diferente que gostasses de experimentar?”
ou
“O que te faz sentir mais desejado/a?”
ou ainda:
“Há alguma coisa que gostarias que fizéssemos mais vezes?”
Estas perguntas podem ser uma porta de entrada para conversas mais profundas.
É perfeitamente possível que um queira experimentar determinada coisa e o outro não.
Isso não significa que exista um problema na relação.
Podem procurar alternativas que sejam confortáveis para ambos, adaptar uma ideia ou simplesmente deixá-la no campo da fantasia.
O importante não é conseguir dizer “sim” a tudo.
É conseguir dizer “sim”, “não” ou “talvez” sem medo de perder o carinho, o respeito ou a segurança dentro da relação.
Quando existe espaço para falar sem vergonha e sem julgamentos, a comunicação pode tornar-se uma parte importante da própria intimidade.
Conhecer melhor aquilo que o outro deseja, aquilo que o deixa confortável e também aquilo que não quer experimentar pode criar mais confiança.
E, muitas vezes, a verdadeira novidade não está apenas em experimentar algo diferente, mas em descobrir uma nova forma de conversar sobre aquilo que já existe entre vocês.
Não existe uma forma certa de falar sobre desejos e fantasias.
Cada casal encontra o seu ritmo.
O mais importante é criar uma relação onde exista espaço para curiosidade, honestidade, consentimento e respeito pelos limites de cada pessoa.
Porque falar sobre o que desejamos não deve ser motivo de vergonha.
Pode ser simplesmente mais uma forma de nos conhecermos — e de conhecermos melhor quem está connosco.