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Quando falamos de sexualidade, é fácil cair na comparação.
Podemos ouvir amigos, ler estatísticas ou ver representações de relações perfeitas nas redes sociais e começar a pensar:
“Será que temos relações poucas vezes?”
Ou:
“Será que deveríamos ter mais sexo?”
Mas a frequência sexual de outras pessoas não é uma referência obrigatória para a tua relação.
Um casal pode ter relações várias vezes por semana e estar perfeitamente satisfeito. Outro pode preferir algumas vezes por mês. Há ainda períodos em que o sexo acontece com maior frequência e outros em que praticamente desaparece.
Todas estas situações podem fazer parte de uma vida sexual saudável.
O mais importante não é atingir determinado número, mas perceber se a frequência existente é satisfatória para as pessoas envolvidas.
Não existe uma frequência universal que possa ser aplicada a todos os casais.
Mesmo quando estudos apresentam médias de frequência sexual, essas informações servem apenas como dados estatísticos. Uma média não é uma regra.
Por exemplo, estar acima ou abaixo de determinada média não significa automaticamente que exista um problema.
O que importa é perceber:
Estas perguntas são muito mais importantes do que contar quantas vezes acontece.
É perfeitamente natural que a vida sexual não seja sempre igual.
Há fases em que o desejo pode estar mais presente e outras em que diminui. Uma mudança de rotina, períodos de maior stress, alterações na relação, cansaço ou simplesmente diferentes fases da vida podem influenciar a vontade de ter relações.
Também pode acontecer o contrário: uma nova fase da relação, mais privacidade, maior confiança ou simplesmente mais disponibilidade podem aumentar o desejo.
Por isso, não é necessário comparar a frequência atual com aquilo que acontecia há alguns meses ou anos.
Uma relação pode passar por diferentes ritmos sem que isso signifique que algo está necessariamente errado.
Esta é uma das situações que pode gerar maior tensão numa relação.
Uma pessoa pode sentir vontade de ter relações com mais frequência, enquanto a outra prefere que aconteçam menos vezes.
Aqui, o problema não está necessariamente na diferença de desejo.
O mais importante é como o casal lida com essa diferença.
Conversar sobre o assunto sem acusações pode ajudar bastante.
Em vez de:
“Nunca tens vontade.”
pode ser mais útil explicar:
“Sinto falta de termos mais momentos de intimidade e gostava de perceber como te sentes.”
A diferença parece pequena, mas muda completamente o tom da conversa.
Não necessariamente.
Uma frequência sexual reduzida só deve ser encarada como um problema quando causa sofrimento, frustração ou conflito para uma ou ambas as pessoas, ou quando existe uma mudança que preocupa quem está envolvido.
Se duas pessoas estão satisfeitas com a sua vida íntima, não existe obrigação de aumentar a frequência apenas porque outras pessoas têm relações mais vezes.
A intimidade não precisa de ser medida apenas pelo número de relações sexuais.
Beijos, abraços, carícias, massagens, momentos de proximidade e outras formas de contacto também podem fazer parte da vida íntima de um casal.
Também não existe um número máximo universal.
Se existe consentimento, conforto, prazer e a frequência não está a interferir negativamente com a vida pessoal ou com a relação, ter relações sexuais frequentemente não significa, por si só, que exista algum problema.
Mais uma vez, a qualidade da experiência e o bem-estar das pessoas envolvidas são mais importantes do que um número.
Uma das ideias que pode criar pressão é pensar que, numa relação saudável, os dois deveriam ter vontade de ter sexo ao mesmo tempo.
Na realidade, o desejo pode variar bastante.
Uma pessoa pode estar cansada, preocupada ou simplesmente sem vontade num determinado momento. Isso não significa necessariamente falta de atração pelo parceiro ou parceira.
Da mesma forma, ter desejo num determinado dia não significa que seja necessário concretizá-lo.
Consentimento, vontade e conforto devem estar sempre presentes.
Em vez de perguntar apenas:
“Quantas vezes temos relações?”
pode ser mais interessante perguntar:
“Estamos satisfeitos com a nossa vida íntima?”
E ainda:
Estas questões podem revelar muito mais sobre a qualidade da vida íntima do que qualquer estatística.
Quando começamos a pensar que existe uma frequência que “devemos” cumprir, o sexo pode transformar-se numa espécie de tarefa.
E quando existe pressão, pode ser mais difícil sentir desejo espontaneamente.
Em vez de procurar atingir um determinado número, pode ser mais saudável criar espaço para a intimidade acontecer de forma natural.
Às vezes, isso significa experimentar algo diferente. Outras vezes, significa simplesmente descansar, conversar, trocar carinhos ou estar juntos sem expectativas.
Uma vida sexual satisfatória não precisa de seguir um calendário.
Se houver uma alteração significativa e persistente no desejo sexual, dor durante as relações, dificuldades sexuais ou sofrimento relacionado com a vida íntima, pode ser importante procurar aconselhamento junto de um profissional de saúde.
Também pode ser útil procurar ajuda quando as diferenças de desejo estão a provocar conflitos constantes e o casal sente dificuldade em conversar sobre o assunto.
Pedir ajuda não significa que exista algo “errado” com a relação. Pode simplesmente ser uma forma de compreender melhor o que está a acontecer.
A resposta pode ser mais simples do que parece:
Normal é aquilo que funciona para ti e para a pessoa com quem partilhas a tua intimidade, desde que exista consentimento, respeito, conforto e satisfação.
Não existe uma quantidade mágica de relações sexuais que determine se uma pessoa ou um casal tem uma vida sexual saudável.
Há quem queira mais. Há quem queira menos. Há quem passe por fases de maior e menor desejo.
E tudo isso pode fazer parte de uma vida íntima normal.
O importante é não viver a sexualidade de acordo com comparações ou expectativas externas, mas encontrar um ritmo que faça sentido para cada pessoa.