Sem produtos
Uma fantasia sexual é uma ideia, imagem, cenário ou situação que desperta curiosidade, excitação ou interesse na nossa imaginação.
As fantasias podem ser muito diferentes de pessoa para pessoa. Algumas estão relacionadas com ambientes, situações românticas ou experiências novas. Outras podem envolver personagens, diferentes dinâmicas de casal, lingerie, jogos, acessórios ou simplesmente uma forma diferente de viver a intimidade.
Não existe uma lista de fantasias "normais" que todas as pessoas deveriam ter.
A imaginação não funciona segundo regras universais.
Também é perfeitamente possível ter uma fantasia e nunca querer concretizá-la. Algumas ideias podem ser interessantes precisamente porque pertencem ao mundo da imaginação.
Não.
Esta é talvez uma das ideias mais importantes quando falamos sobre fantasias sexuais.
Imaginar algo e querer fazê-lo na realidade são coisas diferentes.
Uma pessoa pode sentir curiosidade por determinada situação sem ter qualquer intenção de a experimentar. Pode gostar de imaginar um cenário, mas preferir que ele permaneça apenas na fantasia.
Por isso, quando partilhas uma fantasia com alguém, não estás necessariamente a fazer um pedido.
Podes simplesmente estar a dizer:
"Isto é algo que já imaginei e que acho interessante."
Essa diferença pode tornar a conversa muito mais confortável.
Mesmo numa relação onde existe confiança, falar sobre desejos e fantasias pode deixar-nos vulneráveis.
Podemos pensar:
Estes receios são compreensíveis.
Quando falamos de intimidade, estamos também a falar de sentimentos, inseguranças e da nossa imagem perante a outra pessoa. Por isso, a forma como iniciamos a conversa pode ser tão importante como aquilo que queremos partilhar.
Uma conversa sobre fantasias não precisa de acontecer no meio de um momento íntimo.
Aliás, para algumas pessoas pode ser mais fácil conversar quando não existe expectativa de que algo tenha de acontecer depois.
Escolhe um momento em que estejam tranquilos, tenham privacidade e não estejam com pressa.
Podes começar de uma forma simples:
"Há uma coisa que às vezes imagino e gostava de partilhar contigo. Não significa que queira necessariamente fazer, mas tenho curiosidade em saber o que pensas."
Esta introdução ajuda a retirar pressão da conversa desde o início.
Existe uma diferença importante entre:
"Gostava de experimentar isto contigo."
e
"Tenho curiosidade por isto e gostava de saber o que achas."
A segunda abordagem deixa mais espaço para uma conversa.
Quando partilhas uma fantasia, tenta explicar o que te atrai na ideia, em vez de apresentar imediatamente um plano para a concretizar.
Por exemplo, talvez aquilo que te interessa não seja exatamente a situação em si, mas a sensação de novidade, surpresa, confiança, romance, entrega ou diversão associada à fantasia.
Descobrir isso pode abrir novas possibilidades para a intimidade.
Não há problema.
Uma relação saudável não exige que duas pessoas tenham exatamente os mesmos desejos ou curiosidades.
O objetivo de partilhar uma fantasia não deve ser conseguir um "sim".
Às vezes, a resposta pode ser:
"Não é algo que me interesse."
E essa resposta deve ser respeitada.
Da mesma forma, tu também tens o direito de dizer que não queres experimentar algo que te seja proposto.
Consentimento não é apenas aceitar. É também poder dizer não, mudar de ideias ou simplesmente dizer "não sei".
É fácil interpretar uma diferença de desejos como uma rejeição pessoal.
Mas alguém não querer experimentar determinada fantasia não significa necessariamente que não sente desejo por ti ou que existe algum problema na relação.
Pode simplesmente significar que aquela experiência não desperta interesse nessa pessoa.
Da mesma forma, se partilhares uma fantasia e a outra pessoa não quiser concretizá-la, isso não torna a tua fantasia estranha ou inadequada.
Duas pessoas podem ter desejos diferentes e continuar a ter uma relação íntima, divertida e satisfatória.
Se nunca tiveram este tipo de conversa, não precisas de começar por partilhar a fantasia que consideras mais difícil de revelar.
Começa por temas mais leves:
Estas conversas podem ajudar a criar um espaço onde falar sobre intimidade se torna cada vez mais natural.
Partilhar uma fantasia não precisa de ter como objetivo realizá-la.
Por vezes, simplesmente descobrir o que desperta a imaginação da outra pessoa pode criar uma nova forma de proximidade.
Pode levar a conversas sobre:
E talvez descubram que aquilo que realmente vos atrai não é a fantasia completa, mas apenas um determinado elemento dela.
Se uma fantasia deixar de ser apenas uma fantasia e existir vontade de a explorar na realidade, a conversa passa a ser ainda mais importante.
Antes de avançar, falem sobre:
Sejam claros sobre aquilo que cada pessoa gostaria ou não de fazer.
Cada pessoa deve poder dizer o que está fora dos seus limites.
Um "sim" dado antes não significa que alguém tenha de continuar se deixar de se sentir confortável.
É importante que ambos saibam que podem interromper a experiência a qualquer momento.
Nem tudo corre exatamente como imaginámos. Uma experiência real pode ser diferente da fantasia — e isso é perfeitamente normal.
As redes sociais, filmes e conteúdos online podem criar a sensação de que determinadas fantasias são mais comuns ou desejáveis do que outras.
Mas aquilo que vemos não representa necessariamente a realidade das relações.
Não existe uma quantidade certa de fantasias, uma frequência certa de intimidade ou uma lista de experiências que deves querer experimentar.
A tua imaginação não precisa de corresponder à de ninguém.
O mais importante é perceber aquilo que te faz sentir confortável, curioso/a e bem contigo próprio/a.
Pode ser útil pensar nestes três conceitos como coisas diferentes:
Fantasia:
"É algo que gosto de imaginar."
Curiosidade:
"É algo sobre o qual gostava de saber mais."
Vontade de experimentar:
"É algo que gostaria de viver na realidade."
Não precisam de aparecer os três ao mesmo tempo.
Uma fantasia pode permanecer simplesmente uma fantasia. Uma curiosidade pode desaparecer com o tempo. E algo que hoje não te interessa pode despertar curiosidade no futuro.
Se quiseres falar sobre fantasias com o teu parceiro ou parceira, experimenta estas pequenas regras:
1. Escolhe um momento tranquilo.
Não transformes a conversa numa decisão imediata.
2. Fala na primeira pessoa.
"Eu tenho curiosidade..." é diferente de "Tu devias experimentar..."
3. Explica que não existe obrigação.
Deixa claro que estás apenas a partilhar.
4. Ouve sem julgar.
Se a outra pessoa partilhar algo contigo, cria o mesmo espaço seguro que gostarias de receber.
5. Respeita os limites.
Curiosidade não significa consentimento.
6. Dá tempo para pensar.
Nem todas as respostas precisam de surgir naquele momento.
7. Mantém a conversa aberta.
Uma boa conversa sobre intimidade não precisa de terminar numa decisão.
Nem todas as fantasias precisam de ser realizadas. Algumas podem ser apenas pensamentos, outras podem transformar-se em novas experiências e outras podem simplesmente ajudar-nos a perceber melhor aquilo de que gostamos.
O mais importante é que não exista vergonha em falar sobre aquilo que sentimos e não exista pressão para fazer aquilo que não queremos.
A intimidade também passa pela confiança necessária para dizer:
"Tenho curiosidade por isto."
"Isto não me interessa."
"Talvez um dia."
"Não sei se quero experimentar."
ou simplesmente:
"Gosto que possamos falar sobre estas coisas."
Porque conhecer melhor a pessoa com quem partilhamos a nossa intimidade pode ser, por si só, uma experiência de proximidade.